Lembra dela? Com ela o menino andava de mão dada e dizia: amanhã vou fazer arte. Mas queria dizer: eu não sei o que eu vou fazer amanhã. Lembra? Quando de noite no meio da avenida, naquela praça com a escultura que a gente não sabia o nome? Lembrou da rosa que comprou um dia, e meio sem graça, dramático, fez charminho e desmanchou pétala por pétala aquele troço do vendedor de flores. Na frente dela. Quanto drama. Logo que fez, se arrependeu. Ele ficou tão feliz por alguns dias, ficou tão feliz e era tão novo. Depois ficou triste porque ela já não era mais de segurar a mão, mas sim de querer experiências diferentes. Ele não sabia fazer o jogo. Nunca foi bom na parte lúdica da história, gostava da chata e profunda sensação de amor. Ou o que achava que era isso.
Dia 4 meu aniversário. Yes. Fiz vinte e quatro e estou vendo que a vidinha é a vidinha mesmo, naquelas lá, mais ou menos daquele jeito, assim ou assado, sei lá, de repente, não é? Não não não, ou pelo menos só sim quando, talvez, de novo pode ser que a probabilidade seja, ou não, pelo sim pelo não, pêlos no corpo do doente irmão, então, quase tudo isso, a bola do compro isso, compromisso de churrasco caríssimo frasco de aldeia, ou incendeia a lua de cadeia em cadeia! Cadela! Nela é chulé de favela que rela e mela a cara de quem, sem voto, vota com pressa de sair da cesta de quem não consegue almoçar, cantar depois no karaokê de dois, em dois, pra explicar o porquê usando "pois", só se for. Amor. Beijo! Te amo mim mesmo, só mesmo naquela noite masturbatória, que glória da mão que chorava então, na reta do Senna, na piada veneno de cerveja de bar que não esqueço nunca. Deixar que veja que não pereço jamais. Animais. Nunca mais.
Eu nunca sei direito. O caminho do cérebro vai do lado oposto ao direito, e não é o esquerdo, nem o do meio, nem o oposto que se opõe àquilo que deveria ser correto.
Arte. O que pode ser chamado de arte não pode ser considerado qualquer outra coisa a não ser a fruta caída dos teclados mudos de nossa nação ignorante. Ao som de uma banda de cabelo lambido, como se diria antigamente, de boi lambido. O cabelo colado à testa seria motivo de desgraça há uns bons quinze anos atrás, não seria? Ainda vêm me dizer que a coisa não é assim tão trágica. As calças apertadas e os cintos de brilhantes com pratas de cocô de cueca suja! Vocês sabem de quem eu estou falando. Daqueles cultos de orientação nova e desencanadíssima vida boêmia de não querer realizar qualquer coisa menos chique que conversar com gente normal que assiste novela e discute futebol e faz alegorias através de táticas e palavras sábias de Wanderley Luxemburgo. O que não seria tão trágico não fosse a vontade de escrever sobre as pessoas de desenhos em partes assimétricas do karada em poucas palavras em sei lá mais o quê, gutai e o Helio Oiticia e o caralho a quatro. Exposição de amigos vou fazer, estarei lá com um projeto exposto. AH AH AH. Tchau bilau. Foda-se o dizer de amigo, ou inimigo, ou não sei mais o quê. Mesmo.
Eu sempre gosto de falar que a primeira ameba já amava, porque ela só fez a terceira ameba quando amou a segunda. Fora isso, não sei mais nada disso aí.
Se você é bonito e vive uma vida bonita, foda-se. Eu não gosto de ninguém bonito perto de mim. Não quero saber de gente engraçada, nem de sorrisos, nem de música boa ao meu redor. Xô. Vai embora. Eu quero ficar no escuro, com uma revista pornô do meu lado e uma latinha de Itaipava vazia para completar minha alma. Eu quero um celular pesado que tenha o tamanho de um fusca, eu quero uma calça apertada que faça minha barriga transbordar. Quero uma montanha de animais feios, sujos, com DSTs que eu pegarei no contato de meu pipi com o popo selvagem de uma ratazana. Não, não aguento mais o ácido saudável, nem o estímulo da fumaça amarga e suave nos pulmões, porque agora eu quero é podridão escorrendo pelo meu nariz. Só que eu quero tudo isso com um sundae de chocolate e confete sobre tudo pra deixar mais doce. Eu quero também leite condensado na colher para que o cheiro de rosas na minha sala de jantar derreta em volta da minha cabecinha feliz que encosta as costas no sofá em frente à televisão. Vejo mais uma vez 2001 e durmo como um bebê numa tarde de domingo. Uma loira deita ao meu lado e faz carinho na minha barriga. O perfume suave vem do cabelo recém lavado, é o shampu. Enquanto eu finjo que durmo, ela dá um beijinho na minha boca e eu sinto que ela acabou de escovar os dentes. Que felicidade triste! Hoje eu fiz uma carne com um molho bom. Minhas habilidades na cozinha me surpreendem. Cozinhar é mais uma coisa que devíamos aprender na escola, porque uma habilidade na cozinha é mais um sinal de boa educação. É como higiene pessoal. Precisamos exercitar. Agora, vou deitar de novo.
O crime organizado e a merda do ônibus parado. Filhos da puta em questão que não estão combatendo nem crime nem crime organizado nem desorganizado governo eleito nem segurança pública privada e porca unificada de segurança que nunca saiu do papel para não ser reativado para a puta que te pariu. Nem dá para pensar em combate a uma porcaria que nome estúpido "combate ao crime organizado" como se existissem duas pessoas entrando em conflito, caralho, quem vai combater o quê bando de filho da puta, gente estúpida que critica o terrorista como um personagem mas coloca o criminoso como outro, como se você fizesse uma carteirinha na hora da matrícula: criminoso organizado, terceiro semestre. Não, caralho, nem terrorista, nem criminoso, nem seriedade, nem politiqueira partidária e não tem como não ser político partidário porque o filho da puta é político profissional e tem que ganhar seu ganha pão aproveitando toda crise para tirar o seu, senão perde voto arranjado do investimento publicitário liberado pelo partido que investe nos corruptos da família do don corleone italiano alemão turco japonês alagoano e etc e tal. Acordos o caralho a quatro de cor partidária mentirosa, nunca existiu também partido ou contra-partido ou party festa de arromba o cu de olho caído. Bom mesmo era o Diógenes deitado na ágora com Alexandre o grande na sua frente, gente o que se passa dentro do meu dente, to com a gengiva sensível. Vi 2046 e toda aquela coisa estranha e parada e boba que não tem por quê ter aquela linearidade estranha. Mas vi também Eu, Você e Todos Nós gostei bastante não fosse o instante de meiguice contínua bonitinha coisa de menininha apaixonada e corneada e sozinha, mas que também não acha que pensar em sexo é legal então faz um filme para ver na frente da TV comendo pipoca doce e guaraná diet pra não engordar demais, porque a barriga já tá transbordando do jeans que já não realça mais a bunda como deveria. Outro filme que vi esses dias é superhomem e só não achei legal o cara ficar bisbilhotando a Lois Lane com visão de raio x que isso é crime senhor todo poderoso clark kent safado, se a polícia te pegasse tu podia ir pro xadrez seu tarado maníaco vai saber se ele não faz isso com mulheres indo no banheiro eu já não confio nem em super homem esses dias, quem diria na polícia. Mas uma coisa que não concordo é essa mania da classe média riquinha ficar falando mal da polícia porque entre um bandido que queima meu ônibus e o bandido que bate no bandido que queima meu ônibus eu realmente não tenho tanta dúvida assim na hora de escolher.
Levantem! É uma linda manhã. Comemorem a vida nem que seja por este único instante. Antes de esquecerem suas personalidades durante o dia de trabalho, lembrem-se: nós nascemos falando "dá dá" e depois passamos pra "quanto isso custa?". Mas por que eu estou falando "Levantem", como se fosse para uma porção de gente? Eu estou falando para mim mesmo: levanta, sua anta! Japonês estúpido, comemore a vida nem que seja por este instante! Porque o resto do dia depois deste instante é uma meeeerdaaaa.
Os estúpidos pés de galinha e as mazelas da ignorância servil!! Não há mais nada a não ser xixi de gato. Por isso, cubram as cucas e beijem os lagartos, porque amanhã será um péssimo dia para melhor. Ou pior, nada do que pode ser dito será um dia escutado por aqueles que não sabem a diferença entre a almôndega e a almôndega. Grandes poesias, grandes tragédias, ou em pequenos sacos de areia é algo de nada ferido ou talvez dito por aquilo que pode ser contado sem nada a ser acrescentado por falta de razão ou não sei lá a questão não poderia ser diferente, então, digo, senão, ou será, por que não?
Dito isso, confirmo aquilo lá que a almirante disse antes de entrar em cena: fui eu mesma que queimei a rosca seca da outra pelêga. Gosto de mentos com coca diet sem contar que na barriga isso faz um bum enorme de sujar as cuecas de qualquer menina sem calcinhas. Tudo bem, sem gota não tem choro nem vela, nem velório de outro caso de outrora, embora, não há nem uma, nenhuma, saída ou ida de ida volta nem só de ida, portanto sem saída! Vadia ida me adia ida para a saída de retroagida e fugidia fenomenologia. Entende?
Pretende o quê com essas palavras cheias de conteúdo? Um conteúdo, dois conteúdo, três conteúdo, ou qualquer outro fim de mundo em tudo o que há de mais iludido oculto opaco tabaco e carrapato. Vírgula. Catarro sapato batavo e adulterado amado de nitrato. Não é um salto? Um salto de sal no salário inato de quem sem gato, pula um muro de salto alto sem salto nem alto para contar a história de um gato sem garras que sem botas também não estava em nenhuma história que eu lembrasse assim de repente na frente de toda essa gente em cima dos carros de detergente. Por minha semente no ralo do dia seguinte não faz neném em quem sem ninguém não imagina a falta que faz a pele de alguém sem ninguém sem cima de alguém que é um zé ninguém de alguém que também não tem um vintém. Pra que segurar? Ignora e solta a semente no ralo do gato sem salto alto, porque os conteúdos de um dois três conteúdo vai virar, de uma forma ou de outra, semente de ralo prato cheio de estroboscópicos filhos sem pátria na pária do esgoto ralo de mulher grávida de tanta gente na cidade da mente demente de são vicente à santos ou sei lá o quê.
Às vezes quero sentir mais ar entrar nos pulmões para que o corpo fique do tamanho da vida. Mas isso só acontece depois que chove.
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Choveu ontem à noite.
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Em casa, quando acabava a luz na hora da janta, primeiro a gente procurava a lanterna, depois procurava as velas. Comíamos e logo ninguém sabia direito o que fazer, todos ficavam na sala, sem ligar a televisão. De repente, conversávamos de verdade, geralmente uma conversa boba, com jogos de palavras e brincadeiras com as sombras das velas. Sabe aquelas coisas que a gente faz com a mão, para que a sombra fique parecida com algum tipo de bicho? Eu só sabia fazer um cachorro, mas sempre inventava na hora um leão marinho, um ornitorrinco, um lobo guará, ou qualquer outro animal estranho que não precisasse ser reconhecido imediatamente.
Hoje eu quis acender um fósforo e fiquei sentimental.